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Ataque a Novorossiysk ameaça exportações de trigo da Rússia

A Ucrânia executou um ataque em larga escala com drones e mísseis contra Novorossiysk, principal polo naval e de exportação de grãos da Rússia no Mar Negro, danificando terminais de cereais e embarcações militares. O episódio eleva o prêmio de risco sobre o comércio global de trigo e acentua a pressão sobre as cotações internacionais da commodity, em um momento em que Moscou busca preservar sua posição de maior exportadora mundial do cereal.

Nas últimas semanas, Rússia e Ucrânia têm alternado ataques a infraestruturas de exportação na região do Mar Negro, num movimento que vem impulsionando os preços do trigo e ampliando a incerteza sobre a oferta global. A Ucrânia, também grande exportadora agrícola, afirma que as ações contra alvos russos são uma resposta legítima à guerra iniciada por Moscou.


Moscou tenta reorganizar o escoamento após o ataque

O governador regional, Veniamin Kondratyev, informou que três pessoas morreram — incluindo uma criança de oito anos — e outras 24 ficaram feridas. Ainda não há um balanço consolidado sobre a extensão dos danos materiais, mas duas empresas russas que atuam no comércio de grãos relataram prejuízos em suas instalações, segundo relatos da imprensa internacional.


O Ministério da Agricultura da Rússia afirmou que busca redirecionar o escoamento de grãos para portos do Báltico e do Mar Cáspio, além de rotas terrestres alternativas. A medida reflete o impacto imediato do ataque sobre a logística de exportação no Mar Negro, por onde passa parcela relevante do comércio russo de cereais.


Em pronunciamento nas redes sociais, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a operação como bem-sucedida. Segundo ele, Kyiv utilizou uma combinação inédita de drones de longo alcance e armamentos para atingir embarcações da frota russa na baía de Novorossiysk. Entre os alvos atingidos estavam as fragatas Almirante Essen e Almirante Makarov, um grande navio de desembarque, uma corveta e outras unidades navais. Zelensky não mencionou os terminais de grãos.

Pressão sobre a oferta global de trigo se intensifica

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de tentar provocar “caos” no mercado global de alimentos. Em declaração reproduzida pela agência TASS, ela afirmou que a ação ucraniana agrava a escassez de grãos e fertilizantes, aumenta os preços internacionais dos alimentos e eleva os custos para países do Sul Global e do Oriente, que se tornaram reféns das políticas irresponsáveis desses “players”.


A consultoria agrícola SovEcon estimou que a Rússia deve exportar entre 3 milhões e 3,4 milhões de toneladas métricas de trigo em agosto. O volume fica bem abaixo da média de 5 milhões de toneladas registrada para o mês nos últimos cinco anos e, se confirmado, representaria o menor total para agosto desde a temporada 2016-2017.

O desempenho fraco já vinha sendo observado em julho, antes mesmo do ataque a Novorossiysk. A combinação de menor oferta exportável, riscos logísticos e ataques recíprocos a terminais portuários tende a manter os preços do trigo sob pressão altista, com impacto direto sobre importadores de grãos, especialmente os países do Sul Global e do Oriente.


Escalada no Mar Negro e efeitos sobre a segurança alimentar

Nas últimas semanas, as forças russas intensificaram os lançamentos de mísseis contra cidades ucranianas, num movimento que provavelmente busca explorar a escassez de interceptadores de mísseis balísticos disponíveis para Kyiv. O acirramento do conflito ocorre em paralelo à disputa pelas rotas de exportação de grãos, transformando o Mar Negro em um ponto crítico para a estabilidade dos mercados globais de alimentos.


A combinação de riscos geopolíticos e logísticos adiciona mais um componente de incerteza à economia global, especialmente para países que dependem de importações de alimentos e fertilizantes. A declaração da Rússia ressalta o temor de que o conflito no Mar Negro agrave a insegurança alimentar global, com potencial de contágio sobre os preços de alimentos em diversas regiões.


Fonte: SpaceMoney


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