A oferta reduzida e o dólar em alta frente ao real, são os principias fatores que tem elevado os preços trigo no mercado doméstico. Com isso, os moinhos seguem atuando nos preços para repassar esses aumentos nas negociações da farinha de trigo, visto que o custo da matéria-prima que está bastante elevado, é o principal fator para a formação das cotações dos derivados. Esse aumento na cadeia produtiva já está refletindo no bolso do consumidor final, pois o preço do pão francês subiu até 10% no Paraná. Confira:
Com a valorização nos preços do trigo por conta da oferta restrita e alta do dólar, o setor moageiro segue trabalhando atento para repassar essas elevações nas cotações da farinha de trigo, operando também com a moagem reduzida neste início de março.
As vendas do derivado de trigo estão acontecendo de forma pontual na maior parte dos casos, apenas para manutenção de estoques. Os compradores de farinha estão cautelosos com esses aumentos e precisam reajustar os preços para o consumidor final.
Esses reajustes já podem ser observados no preço do pão francês, que está até 10% mais caro nas padarias do Paraná em 2020, de acordo com o Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria no Estado do Paraná (Sipcep). Além do avanço no preço do pão, o sindicato afirma que os demais produtos de panificação aumentaram pelo menos 5% no período.
Os moinhos em sua maioria estão operando com os estoques curtos, e precisam realizar novas aquisições, mas, estão com dificuldade de encontrar lotes do cereal disponíveis para venda no mercado interno. Com a moeda norte-americana operando em alta frente ao real, sendo cotada ontem (09/03) em R$ 4,7256 e hoje pela manhã atingindo a máxima de R$ 4,6840, o valor da importação do trigo fica mais elevado e inviável.
Além desses fatores, o setor da farinha de trigo está preocupado com o mercado de trigo da Argentina, o principal fornecedor de matéria-prima para o Brasil, já que a disponibilidade do trigo está escassa no pais vizinho, por conta que quase 85% da safra já foi comercializada.
Sendo assim, o setor dos derivados de trigo, vai precisar buscar novos fornecedores mais distantes, o que resultará em custos ainda mais elevados, em função de frente e logística. Além disso, nas compras da commodity em países fora da Mercosul, há uma cobrança de 10% da Tarifa Externa Comum (TEC), e o Brasil pode importar apenas 750 mil toneladas por ano sem essa taxa.
Isso tudo vai impactar ainda mais nos preços dos derivados e nos produtos finais nos próximos meses, pois a maior parte do trigo importado é usada na para as farinhas de panificação.
O mercado de trigo brasileiro ainda tem expectativa de que o governo atue no aumento da cota da TEC, como forma de minimizar os custos de importação de trigo, uma vez que a quebra da última safra reduziu drasticamente os estoques de trigo brasileiro.
FUNDAMENTOS DE FORMAÇÃO DE PREÇOS
-Cotação do dólar operou em alta durante os dias 03/03 a 09/03, de R$4,5109/US$ a R$ 4,7256 /US$ no fechamento de ontem.
- Farelo de trigo: Com queda na moagem da farinha em fevereiro, mercado do farelo reduz a oferta e reajusta os preços. Próximo balanço AF News de Farelos de Trigo será divulgado no dia 12/03 (quinta-feira).
- Preços de importação do trigo argentino 11,5% de proteína safra atual (mar/20) cotado R$ 1302,21/ton, R$ 44,70/ton mais caro que a semana anterior, posto em Santos-SP (trigo + frete marítimo + descarga + seguro) considerando o dólar médio da semana em R$ 4,640. Na referência do trigo americano (hard) embarque em março/20 na média a R$ 1384,38/ton (+ R$ 58,36/ton na semana).
- No Line up de exportação de trigo argentino desta semana, entre os dias 06 a 12 de março, estão programados o envio de 657,26 mil toneladas de trigo com uma queda de 34,21% comparado com a semana anterior. Para o Brasil, o volume ficou em 204 mil toneladas, com queda de 20% ante a semana anterior. Os principais compradores foram: Bunge (85,5 mil tons), COFCO (31,0 mil tons) e Cargill (30 mil tons).
- No mercado de trigo os preços de vendas de trigo de pH 78. No Paraná, a tonelada está sendo vendida no preço médio de R$1.050/ton FOB. No Rio Grande do Sul, preços são de R$950,00/ton FOB.r
Fonte: AF News