Notícias setorial/mercado

Preço do trigo sobe até 7,6% em maio com menor oferta e preocupação com safra

Os preços do trigo avançaram no mercado brasileiro em maio, sustentados pela menor disponibilidade interna e pela postura cautelosa dos produtores nas negociações. As informações foram divulgadas pelo CEPEA nesta quarta-feira (10) e indicam um cenário de oferta mais restrita, com impactos diretos nas cotações.

No Paraná, principal referência nacional, o preço médio atingiu R$ 1.352,59 por tonelada, alta de 2,6% em relação a abril. No Rio Grande do Sul, a valorização foi ainda mais intensa, com avanço de 7,6%, levando a média a R$ 1.299,65 por tonelada, o maior patamar desde agosto de 2025. Em São Paulo, o trigo foi negociado a R$ 1.467,25 por tonelada, alta de 5,2% no mês, enquanto em Santa Catarina a média ficou em R$ 1.285,99 por tonelada, com elevação de 4,1%.


Apesar das altas mensais, os preços seguem abaixo dos registrados há um ano. As quedas, em termos reais, chegam a 14,1% no Paraná, 9,2% no Rio Grande do Sul, 10% em São Paulo e 13,5% em Santa Catarina.


A postura dos vendedores foi determinante para esse cenário. Produtores mantiveram a retenção do cereal, aguardando melhores oportunidades de comercialização, o que reduziu a liquidez ao longo do mês. Além disso, há preocupação com a próxima safra, diante das incertezas climáticas e da possível atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre, que pode elevar o volume de chuvas no período de maturação.

Menor produção e aumento das importações pressionam mercado interno

A perspectiva de oferta mais limitada ganha força com os dados da produção nacional. Segundo a Conab, a safra brasileira de trigo em 2026 foi revisada para 6,38 milhões de toneladas, queda expressiva de 18,9% em relação a 2025. A área plantada deve somar 2,14 milhões de hectares, redução de 12,5%, enquanto a produtividade média está estimada em 2,985 toneladas por hectare, recuo de 7,3%.


Com a menor produção, o Brasil deve ampliar a dependência externa. As importações estão projetadas em 6,96 milhões de toneladas, volume superior ao produzido internamente. Os estoques iniciais são estimados em 1,637 milhão de toneladas, e os suprimentos totais podem alcançar 14,98 milhões de toneladas.


O consumo interno, por sua vez, está projetado em 11,8 milhões de toneladas entre agosto de 2026 e julho de 2027, enquanto os estoques finais devem atingir 1,67 milhão de toneladas ao fim do período.


No campo, o plantio avança em ritmo moderado. Até o início de junho, 41,1% da área nacional já havia sido semeada. No Paraná, o índice chega a 61%, enquanto no Rio Grande do Sul é de 9% e em Santa Catarina, de apenas 0,7%.


Derivados seguem caminhos distintos no mercado

Entre os derivados, o farelo de trigo apresentou queda nos preços, pressionado pelo excesso de oferta e pela concorrência com outros insumos destinados à ração animal. De abril para maio, a desvalorização foi de 6,37% para o produto a granel e de 5,82% para o ensacado.


Já as farinhas registraram alta, refletindo a menor moagem e o repasse dos custos do grão. As valorizações foram de 2,11% para bolacha salgada, 1,69% para massas em geral, 1,43% para pré-mistura, 1,42% para farinha integral, 1,38% para panificação, 1,2% para bolacha doce e 0,77% para massas frescas.


Mercado internacional reforça tendência de alta

No cenário global, a expectativa é de redução na oferta. Segundo o USDA, a produção mundial de trigo deve cair 2,9% na safra 2026/27, totalizando 819,06 milhões de toneladas. O consumo global está estimado em 823,23 milhões de toneladas, praticamente estável, enquanto os estoques finais devem recuar 1,5%, levando a relação estoque-consumo para 33,4%.


O comércio internacional também deve encolher, com previsão de 214,11 milhões de toneladas, queda de 4,6% em relação à temporada anterior.


Nos Estados Unidos, problemas climáticos vêm dando suporte às cotações. Até o fim de maio, 69% das áreas de trigo de inverno estavam sob algum nível de seca. Esse cenário, somado à expectativa de menor produção, elevou os preços nas bolsas.


Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento registrou média de US$ 6,3496 por bushel em maio, alta de 5,6% frente a abril e de 21% na comparação anual. Em Kansas, a média foi de US$ 6,8401 por bushel, com avanços de 7,8% no mês e expressivos 30,9% em relação a maio de 2025.


Na Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil, a produção está estimada em 21 milhões de toneladas, queda de 24,8% frente à safra anterior. O país também anunciou redução nas taxas de exportação, de 7,5% para 5,5%, a partir de junho, numa tentativa de manter a competitividade externa.


Com menor oferta global e incertezas climáticas no radar, o mercado de trigo segue sustentado, com tendência de volatilidade nos próximos meses.


Fonte: Agrimídia


COMPARTILHE: