A indústria de alimentos espera crescimento de até 30% nas vendas de panetones em 2018, graças à expansão do consumo do produto no país, ao aumento das exportações e ao lançamento de inovações na categoria.
Entre os fabricantes, a Nestlé tem a previsão mais otimista, de avanço de 30% nas vendas. Caio Soella, gerente de marketing em panetones da Nestlé, disse que as vendas na categoria já cresceram 18% em 2017, com a decisão da companhia de lançar linhas de panetones de frutas. A especialidade da casa é a oferta de panetones recheados.
Em 2018, a Nestlé vai colocar no mercado linhas com frutas especiais (damasco, amêndoas e chocolate e outra de cranberry e chocolate) e panetones para sobremesas, para consumo após aquecimento do produto. "É a primeira vez que a empresa investe em quatro lançamentos em um ano só. A perspectiva é bastante positiva", disse Soella.
A Panco, por sua vez, estima para este ano avanço de 23% no volume de vendas de panetones. Paula Paiva, gerente de marketing da Panco, disse que a companhia vai colocar no mercado uma linha integral de panetone, procurando ampliar a sua participação na categoria. A Panco vende panetones nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Belo Horizonte.
A Panificadora Cepam, dona da Village e segunda maior fabricante de panetones do país, espera um crescimento de 5% nas vendas de panetones, com uma produção próxima de 18 milhões de unidades. Reinaldo Bertagnon, diretor comercial da Cepam, disse que espera crescimento de vendas no mercado interno e uma expansão mais forte das vendas externas. Em 2017, a Cepam exportou 5% da sua produção e planeja exportar 8% do volume produzido neste ano. "A alta do dólar está favorecendo as exportações, principalmente para os Estados Unidos, principal mercado no exterior", afirmou Bertagnon.
No mercado interno, a Cepam espera atrair consumidores com linhas de panetones integrais e linhas com sabores diferenciados, como damasco e uvas passas, trufado com banana e canela e panetone de goiabada.
Outra empresa que espera se beneficiar das exportações é a Ofner. Mário Costa Júnior, diretor da Ofner, prevê quadruplicar as exportações neste ano. Em 2017, a empresa exportou em torno de 10 toneladas de produtos. "O dólar alto tornou o panetone brasileiro mais competitivo no exterior", afirmou Costa.
Em relação ao mercado interno, a Ofner prevê expansão de 20% no volume de vendas em 2018, chegando a 510 toneladas de panetones. A companhia vai colocar no mercado novas linhas, como um panetone de veludo vermelho, uma linha de panetone amanteigado com frutas naturais e outra de damasco e castanha de caju.
Produto 6% mais caro
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), Cláudio Zanão, estima que as vendas totais de panetones no Brasil crescerão neste ano entre 5% e 7% em volume. Em 2017, o crescimento foi de 13%.
O executivo considera que o cenário de consumo ainda está retraído no Brasil, por isso o crescimento será menor em relação ao ano passado.
Em relação aos preços, as indústrias informaram que farão reajustes entre 2% e 6% em relação ao ano passado, para compensar o aumento nos custos de matérias-primas cotadas em dólar, como a farinha de trigo e o papel cartonado usado nas embalagens.
A Kantar Worldpanel estima que 53% da população já consome panetones no Brasil. No Natal passado, o consumo no país chegou a 39 mil toneladas e movimentou R$ 600 milhões, com crescimento de 13% em volume e de 15% em valor em relação ao Natal de 2016.
Os executivos participam na manhã desta terça-feira (18) do Salão do Panetone, realizado em São Paulo pela Abimapi.
Fonte: Valor