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O trigo em perspectiva

A produção mundial de trigo bateu o terceiro recorde seguido, chegando a 748,3 milhões de toneladas (Mt), No âmbito do Mercosul, a safra chegou a 24,2 Mt, 22,8% maior que a anterior. O Brasil também bateu recorde de produção com 6,7 Mt, contra 5,5 Mt no ciclo 2015/16. Tudo isto pesou sobre os preços, que caíram aos níveis mais baixos dos últimos 10 anos. No Brasil, o crescimento deveu-se às excelentes condições climáticas, que fizeram a produtividade saltar de 2.260 kg/ha em 2015 para 3.171 kg/ha em 2016, um incremento expressivo de 40,3%.

Com relação ao mercado, os agricultores preocuparam-se em comparar os valores oferecidos pelos moinhos com o preço mínimo e não perceberam que a lucratividade estava, não nos preços, mas na produtividade. Como os cálculos de custo de produção são feitos sobre 48 sacas/ha e a média nacional foi de 53 sacas (embora as médias do sul do PR, SC e todo o RS tenham ficado entre 70 e 90 sacas/ha), o lucro foi satisfatório no ano que passou. Entretanto, ficou a impressão de preço baixo, o que provavelmente levará a maioria dos agricultores brasileiros a reduzir a área na próxima temporada - os agricultores americanos também reduziram em um milhão de acres (cerca de 405 mil hectares) o plantio de trigo de inverno.

Uma das causas da redução nos preços do trigo em grão no Brasil é a forte queda na demanda das farinhas. Os subprodutos da cadeia tritícola se dividem em três grandes classes: pão, biscoitos e massas. Destas, apenas o pão é considerado alimento essencial (que não pode faltar no café da manhã) - os outros dois são considerados supérfluos. Com uma legião de mais de 12 milhões de desempregados no país, as donas de casa restringiram suas compras aos itens básicos e substituíram as massas pelo arroz e os biscoitos pelo pão com manteiga para o filho levar de merenda para a escola. A demanda de farinhas industriais para fabricação de biscoitos e massas caiu pelo menos 45% nos últimos dois anos e a de farinhas de panificação, matéria prima para pães e pizzas, 8%. Como consequência, a moagem de trigo, que tinha chegado em 11,4 Mt na safra 2013/14, caiu para 10,4 Mt na safra 2016/17, o que ajudou a achatar os preços pagos aos agricultores.

Fonte: DBO


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