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Preço do trigo dispara ao maior nível em três anos com bloqueio no Mar Negro e mudanças climáticas

O preço do trigo atingiu o maior nível em três anos nos mercados atacadistas. A alta ocorre em meio à redução das exportações pelo Mar Negro, às perdas nas colheitas de grandes produtores e ao aumento dos custos de energia e transporte.


Segundo o índice da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o trigo subiu 2,6% em agosto e acumula alta de 15% em relação ao mesmo período do ano passado. O indicador considera os preços praticados nos mercados internacionais, incluindo a Bolsa Mercantil de Chicago.

A pressão, segundo o El País, ocorre em um momento de encarecimento dos alimentos. Em 4 de setembro, a FAO informou que os preços globais dos alimentos estavam no maior nível desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.


Guerra reduz exportações de trigo pelo Mar Negro

Rússia e Ucrânia respondem juntas por cerca de um terço do comércio mundial de trigo. Ataques contra navios graneleiros e instalações portuárias, porém, reduziram a capacidade de exportação dos dois países.


Na Ucrânia, as exportações correspondem atualmente a 31% do volume potencial, segundo relatório da União dos Agricultores Ucranianos (UAC), publicado em 27 de agosto. Já o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em 1º de setembro que as forças ucranianas haviam danificado cerca de 100 navios em 40 dias.


O Rabobank avalia que os danos aos portos não devem encontrar uma solução no curto prazo. Os analistas também consideram pouco provável uma rápida criação de rotas alternativas. Com isso, compradores passaram a buscar fornecedores mais distantes, como Austrália e Argentina. A mudança aumenta os custos de transporte e deixa o abastecimento mais dependente das próximas safras.


Trigo enfrenta pressão do clima

Além da guerra, as condições das lavouras também preocupam o mercado. França e Estados Unidos enfrentam períodos de seca que prejudicaram as perspectivas para as colheitas.


Na Europa, ondas de calor reduziram o valor da produção de cereais em cerca de € 2 bilhões (cerca de R$ 11,81 bilhões)somente em junho. A França, principal produtora de trigo da União Europeia, está entre os países mais afetados.


Na Espanha, a última colheita de trigo caiu aproximadamente 30% em relação ao ano anterior, segundo Ignacio Huertas, da Associação de Pequenos Agricultores (UPA). As ondas de calor contribuíram para a redução.


Ao mesmo tempo, os agricultores enfrentam custos maiores com energia e fertilizantes. Com isso, o aumento no preço de venda do trigo não compensa integralmente a alta das despesas de produção.


El Niño aumenta incerteza

Outro fator de preocupação é o El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico tropical oriental. Dessa forma, o evento pode alterar padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do mundo.


O fenômeno deve atingir seu pico no fim do ano. A Austrália está entre os mercados observados, já que uma queda na produção reduziria uma das alternativas para compradores que enfrentam dificuldades no Mar Negro.


Mobeen Tahir, diretor de análise econômica da gestora WisdomTree, estima que a produção australiana poderia cair cerca de 9 milhões de toneladas com a chegada do El Niño.


Alta chega à indústria de alimentos

A valorização do trigo também pressiona empresas que utilizam farinha como matéria-prima. Grandes varejistas e companhias estão fechando contratos para garantir o abastecimento por pelo menos seis meses. Pequenos estabelecimentos, por outro lado, compram semanalmente e sentem as oscilações mais rapidamente.


Na padaria Luzón, em Madri, o aumento dos custos de farinha e outras matérias-primas já afeta o negócio. Além disso, o estabelecimento tenta absorver parte da alta para evitar repassar todo o aumento aos consumidores.


Segundo Jorge de Saja, secretário-geral da Associação Espanhola da Indústria de Panificação, Pastelaria e Confeitaria (Asemac), o setor não espera aumentos de preços até outubro. Depois disso, porém, a incerteza aumenta.


Até agora, o preço do pão na Espanha apresentou crescimento relativamente moderado, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, trigo, energia, transporte e fertilizantes mais caros pressionam as margens de agricultores e empresas.


Fonte: Times Brasil


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