O mercado futuro do trigo encerrou a quinta-feira (25) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). Os contratos registraram ganhos moderados, em um movimento de recuperação técnica após as perdas recentes, enquanto operadores seguem atentos às condições climáticas em importantes regiões produtoras.
No Brasil, as atenções permanecem voltadas para o desenvolvimento da safra 2026/27. A combinação entre oferta limitada no mercado físico, redução da área cultivada e previsões de chuvas acima da média para o Sul do país continua sustentando os preços domésticos.
Fechamento dos contratos
Julho/26: US$ 5,91/bushel, com alta de 5,25 pontos.
Setembro/26: US$ 6,01/bushel, com alta de 5,50 pontos.
Dezembro/26: US$ 6,18/bushel, com alta de 5,50 pontos.
Mercado brasileiro segue sustentado por oferta restrita
Segundo levantamento do Cepea, os preços do trigo continuam em alta na maior parte das regiões acompanhadas pela instituição. A disponibilidade reduzida de cereal no mercado spot mantém as negociações pontuais e contribui para a sustentação das cotações.
Pesquisadores do Cepea destacam que compradores e vendedores permanecem cautelosos diante das incertezas sobre a próxima safra. A preocupação está concentrada principalmente no comportamento do clima durante o ciclo produtivo, fator que pode impactar a qualidade dos grãos e a produtividade das lavouras.
Julho pode trazer mais chuvas para o Sul
As previsões climáticas seguem no radar do mercado. De acordo com informações da Rural Clima, julho tende a apresentar volumes de chuva acima da média em parte da Região Sul.
O cenário preocupa porque o excesso de umidade durante o desenvolvimento das lavouras aumenta os riscos de doenças fúngicas e pode comprometer a qualidade industrial do trigo, aspecto fundamental para a comercialização junto aos moinhos.
Essa preocupação climática tem ajudado a manter os preços internos firmes, mesmo diante da relativa estabilidade observada no mercado internacional nas últimas semanas.
Plantio avança, mas área segue menor
Dados da Conab mostram que a semeadura alcançava 59,5% da área prevista para a safra 2026 até 12 de junho. Os trabalhos já foram concluídos em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, o plantio atingia 99% da área estimada; no Paraná, 78%; na Bahia, 60%; no Rio Grande do Sul, 36%; e em Santa Catarina, 7,3%.
No Paraná, o Deral manteve a projeção de produção em 2,36 milhões de toneladas para a safra de trigo 2026. O volume representa queda de aproximadamente 18% em relação ao ciclo anterior, reflexo principalmente da redução da área cultivada.
Rio Grande do Sul deve reduzir área em cerca de 30%
No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar projeta uma retração significativa na área destinada ao cereal. A estimativa aponta cultivo de 814,2 mil hectares, contra 1,16 milhão de hectares na safra passada, uma redução próxima de 30%.
A produção gaúcha está estimada em 2,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 2.701 quilos por hectare.
Segundo a Emater, a diminuição da área é consequência da combinação de menor rentabilidade, custos elevados de produção, restrições de crédito e aumento da percepção de risco climático. Além disso, parte dos produtores tem reduzido o nível tecnológico das lavouras, com racionalização do uso de insumos e maior utilização de sementes salvas.
Apesar da redução da área, o trigo segue sendo o principal cereal de inverno cultivado no estado.
Mercado segue atento à qualidade da safra
Com o avanço da semeadura e as previsões de chuvas frequentes para os próximos meses, o foco do mercado passa a ser cada vez mais a qualidade da produção que será colhida no segundo semestre.
A menor disponibilidade de trigo da safra velha, aliada às incertezas climáticas da nova temporada, continua dando sustentação ao mercado brasileiro, enquanto Chicago acompanha o desenvolvimento das lavouras globais e os movimentos de oferta e demanda no comércio internacional.
Fonte: Notícias Agrícolas