O mercado internacional do trigo encerrou a segunda-feira (22) em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). Os contratos foram pressionados pela evolução favorável das lavouras nos Estados Unidos e pela expectativa de aumento da oferta global, movimento que limitou o interesse comprador ao longo do pregão.
No Brasil, o mercado segue atento ao desenvolvimento da nova safra e às projeções de redução da área cultivada no Sul do país, principal região produtora de trigo.
Fechamento dos contratos
Julho/26: US$ 5,97/bushel, com baixa de 8,25 pontos.
Setembro/26: US$ 6,07/bushel, com baixa de 6,50 pontos.
Dezembro/26: US$ 6,24/bushel, com baixa de 6,25 pontos.
O contrato julho/26 encerrou o pregão cotado a 597,4 centavos de dólar por bushel. O setembro/26 fechou em 607,4 centavos, enquanto o dezembro/26 terminou a sessão em 624 centavos por bushel.
Safra de inverno menor no Rio Grande do Sul preocupa oferta nacional
Enquanto Chicago recuou, o mercado brasileiro segue monitorando as perspectivas da safra de inverno. Levantamento da Emater aponta que a área cultivada com culturas de inverno no Rio Grande do Sul deverá recuar cerca de 11% em 2026, movimento puxado principalmente pela redução das áreas de trigo e cevada.
Segundo as projeções divulgadas no estado, a área destinada ao trigo deve apresentar retração relevante em comparação à temporada passada, refletindo preocupações com rentabilidade, custos de produção, acesso ao crédito, seguro rural e riscos climáticos.
A diminuição da área gaúcha ocorre em um momento em que a Conab já projeta uma produção nacional menor em 2026, cenário que mantém a atenção do setor voltada para a necessidade de importações ao longo da temporada.
Mercado interno continua sustentado
Apesar da queda em Chicago, os fundamentos domésticos permanecem relativamente firmes. A oferta de trigo disponível da safra velha segue limitada, enquanto produtores continuam cautelosos nas negociações, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
De acordo com o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado, o mercado brasileiro continua apresentando baixa liquidez, com vendedores sustentando as pedidas e moinhos atuando de forma mais seletiva nas compras. A preocupação com o potencial produtivo da nova safra também segue no radar dos agentes do mercado.
Clima segue sendo fator decisivo
No campo, as lavouras implantadas apresentam desenvolvimento considerado satisfatório em diversas regiões produtoras, especialmente onde as condições de umidade foram adequadas. No entanto, o setor segue monitorando a evolução climática durante o inverno, período decisivo para a formação do potencial produtivo e da qualidade dos grãos.
Com a perspectiva de redução da área cultivada e uma produção nacional mais enxuta, qualquer problema climático nos próximos meses poderá reforçar a necessidade de importações, especialmente da Argentina, principal fornecedora de trigo ao mercado brasileiro.
Fonte: Notícias Agrícolas