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Moinhos podem repassar alta dos preços do trigo no país

O acirramento da guerra entre Rússia e Ucrânia nas últimas semanas fez o preço do trigo atingir o maior valor em três anos na bolsa de Chicago, e a situação pode acabar respingando no consumidor brasileiro. Os moinhos de trigo que atuam no Brasil já estão vendo uma pressão dos custos, que podem ser repassados aos preços de pães, massas e biscoitos.


Ontem, os contratos do trigo negociados na bolsa de Chicago para entrega em dezembro avançaram 1,67% e fecharam cotados a US$ 7,6075 o bushel, o maior valor em mais de três anos, de acordo com o Valor Data.


A guerra entre Rússia e Ucrânia causou danos em portos e terminais dos países que, juntos, representam um quarto da produção mundial do cereal. De acordo com um relatório da consultoria SovEcon, mais de 95% da capacidade total de exportação de grãos da Rússia nos mares Negro e de Azov está atualmente paralisada.


As dificuldades internacionais contribuem para um cenário delicado para a indústria nacional, em um ano que a produção brasileira deve ter o menor volume desde 2020, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


Com isso, os preços devem aumentar para produtores, indústrias e, consequentemente, ao consumidor. “Parte da alta nos preços já chegou [ao consumidor], com defasagem, e uma parcela relevante permaneceu na indústria. O trigo acumula alta expressiva no ano e o preço da farinha não acompanhou na mesma intensidade. Some-se o enfraquecimento do mercado de farelo, coproduto essencial da moagem, e o resultado é margem comprimida”, afirmou Daniel Kümmel, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).


O impacto do conflito no Mar Negro deve se dar mais pela alta do preço do que pelo abastecimento de trigo ao Brasil, já que os moinhos brasileiros usam pouco o cereal da região. No primeiro semestre, o país importou 170 mil toneladas de trigo da Rússia, dentre 2,8 milhões de toneladas importadas no total, segundo a Abitrigo.


Para Kümmel, a ausência do trigo russo pode levar a uma concentração da demanda do país na oferta da Argentina. “O trigo russo entra pelo Norte e Nordeste, e não pelos Sul, por regra fitossanitária para proteger a região produtora brasileira. A Rússia atende, portanto, um recorte geográfico do país. Quando [esse fluxo] trava, como agora, o Brasil inteiro volta a disputar o mesmo trigo argentino”, disse.



A safra argentina, por sua vez, está enfrentando problemas de qualidade. “A preocupação não está apenas no volume produzido, mas também na qualidade do trigo que estará disponível para a indústria. As condições climáticas têm impacto direto sobre as lavouras e podem comprometer características importantes do cereal. Por isso, o cenário precisa ser acompanhado considerando tanto a oferta quanto a qualidade da matéria-prima”, disse Max Piermartiri, presidente do Sindustrigo, em nota.


Fonte: Globo Rural


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