O trigo gaúcho na atual safra de inverno deverá encolher 20% em área, 5,6% em produtividade e 24,6% em produção. As estimativas foram apresentadas nesta quinta-feira, 14, pela Conab em seu 8º Levantamento da Safra de Grãos.
Segundo a companhia, o plantio em 2026 é estimado em 925 mil hectares, ante 1,156 milhão no ano passado, a produtividade em 2.924 quilos/hectare, contra 3.097 em 2025, e o volume colhido de 2,706 milhões de toneladas (foram 3,582 milhões na safra anterior.
As perspectivas do Estado estão piores que os números nacionais: no Brasil se espera a redução na área em 12,5%, para 2,140 milhões de hectares, na produtividade em 7,3%, para 2.985 quilos/hectare, e na produção, redução de 18,9%, para 6,388 milhões de toneladas.
Já as projeções para a canola são bem mais otimistas: expansão na área em 30,4% (273 mil hectares ante 209 mil), produtividade estável (1.619 kg/hectare, dois quilos a menos em que 2025), e colheita 30,2% superior, 443 mil toneladas em 2026, contra 340 mil.
Mercados
Em seu boletim a Conab também analisou o momento para os dois mercados. “Os preços do trigo subiram no último mês nas principais praças produtoras do Brasil, a saber, Paraná e Rio Grande do Sul”, ressaltou.
“No Paraná, observou-se uma leve desvalorização: o preço passou de R$ 60,96 em fevereiro para R$ 62,51 em março, um aumento de 2,55%. No Rio Grande do Sul, os preços seguiram essa tendência de alta: o preço médio subiu de R$ 55,09 em fevereiro para R$ 56,76 em março, variação positiva de 3,4%”, acrescentou.
“Esse aumento foi causado por estiagem na área de grande produção norte-americana e problemas causados pelo aumento do frete marítimo, o que gerou uma demanda maior nesse período, visto que pelos baixos preços do trigo nos últimos anos, a produção tende a não ser tão alta em 2026.”
No mercado internacional, conforme a Conab, o cenário segue de grande oferta de trigo e estoques elevados.
“Porém, questões climáticas nos Estados Unidos e na região do Mar Negro, além das questões geopolíticas no Oriente Médio, que afetou o preço do petróleo e a queda na oferta de fertilizantes no mundo, geraram um cenário no qual os preços agrícolas podem ser afetados positivamente devido à menor oferta no caso de redução de investimento na lavoura”, esclareceu a Conab.
“Além do cenário de queda na previsão da produção de aproximadamente 300 mil toneladas, em comparação ao levantamento anterior, estima-se ainda uma redução nas importações, totalizando 6,652 milhões de toneladas, enquanto que na exportação se projeta aumento, atingindo 2,052 milhões de toneladas”, prossegue.
“Desta forma, a previsão é que a safra 2025/26 se encerre com estoques finais de 1,730 milhão de toneladas, colocando a disponibilidade em patamares mais baixos em relação ao consumo interno, num contexto de diversas incertezas acerca da oferta global do trigo para o segundo semestre”.
Canola é a “principal aposta”
Quanto à canola, a companhia esclarece que a cultura se consolida como a principal aposta para a safra de inverno no Rio Grande do Sul.
“No ciclo 2025, foram cultivados 209,9 mil hectares, com produtividade média final de 1.621 kg/ha. Para a safra de inverno 2026, a expectativa é de continuidade na expansão da área. O cenário é impulsionado por preços considerados satisfatórios pelo produtor e pelo incentivo da indústria por meio de contratos de fomento”, justifica a companhia.
Na região noroeste do estado, principal polo produtor, a semeadura já iniciou, e a estimativa é que o acréscimo de área cultivada ultrapasse os 30% em comparação com a safra anterior. E atualmente, os trabalhos de campo avançam de forma escalonada: 10% da área total prevista já foi semeada, e deste total metade das lavouras se encontra em fase de emergência e o restante já avançou para o estádio vegetativo. “Além da viabilidade comercial, o menor custo de produção em relação ao trigo e a rusticidade da planta são fatores decisivos para a escolha do grão”, complementa a Conab.
Produção nacional recorde
Já a produção de grãos brasileira está estimada em 358 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026. O volume é 1,6% superior ao obtido na safra passada, ou o incremento de 5,7 milhões de toneladas. Assim , os números apontam a expectativa de recorde na safra, impulsionada pelo bom desempenho da soja, do milho e do sorgo.
A soja está projetada em 180,1 milhões de toneladas, um marco inédito, superando a previsão anterior em 978 mil toneladas, o equivalente a um ajuste de 0,5%, com 98,3% da área já colhida. Em volume, é esperado um crescimento de 8,6 milhões de toneladas sobre a safra 2024/25, o que representa um aumento de 5%, marcando o sétimo crescimento nas últimas dez safras.
Destaque também para o milho primeira safra, que voltou a apresentar aumento na área semeada em relação aos últimos anos, o que reflete em uma colheita de aproximadamente 28,5 milhões de toneladas, superando em 3,5 milhões de toneladas a produção anterior, e para o sorgo, que pode chegar a 7,6 milhões de toneladas produzidas.
Fonte: Correio do Povo