O preço do trigo disparou na bolsa de Chicago nesta quarta-feira (15/7), com as guerras trazendo questionamentos sobre a oferta e demanda do cereal. Os contratos futuros com entrega para setembro subiram 5,04%, a US$ 6,7750 o bushel.
De acordo com Jonathan Pinheiro, analista de gestão de riscos da StoneX, o principal impacto para os preços do trigo vem da guerra entre Rússia e Ucrânia.
“A Ucrânia realizou diversos ataques com drones a portos russos nos últimos dias. Isso prejudica a oferta de safra que está pronta para ser colhida e entregue ao mercado. Com retaliação da Rússia, há informações que traders pararam de negociar trigo nos portos dos dois países. O mercado está assustado com essas notícias, já que é a primeira vez que o comércio é paralisado desde a criação de um corredor humanitário criado no início da guerra”, destacou Pinheiro.
A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo, e deverá negociar 48 milhões de toneladas do produto na safra 2025/26, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).
O conflito entre EUA e Irã também mexeu com os preços do trigo em Chicago, segundo Pinheiro. Após a frustração com um acordo de paz entre os países, o fechamento do Estreito de Ormuz e ainda ataques a navios graneleiros na região geram dúvidas sobre o escoamento dos produtos, uma vez que o Oriente Médio é o principal importador de trigo do mundo.
Por fim, o cereal também respondeu à manutenção de problemas climáticos nos EUA e na Europa, onde o calor excessivo pode impactar negativamente a produtividade nessas regiões.
Milho
Na esteira da valorização do trigo, o milho fechou a sessão com preços em alta. Os lotes com entrega para dezembro subiram 1,95%, negociados a US$ 4,6950 o bushel.
O milho geralmente responde às flutuações do trigo já que ambos os cereais são importantes matérias-primas para a indústria de ração animal.
Soja
O preço da soja subiu, e voltou a ser negociado acima de US$ 12 o bushel. Os lotes para novembro fecharam em alta de 0,90%, a US$ 12,0175 o bushel.
No momento, as atenções se voltam para o clima da safra americana em 2026/27, cuja colheita deve iniciar em meados de setembro. Os solos no país enfrentam altas temperaturas, e investidores esperam que a previsão de chuvas para os próximos dez dias se concretizem para amenizar esse cenário de preocupação com a safra.
Fonte: Globo Rural