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Trigo pode disparar e mercado já dá sinais

O mercado de trigo atravessa um momento de transição marcado por incertezas climáticas, ajustes na oferta global e sinais de demanda aquecida. De acordo com análise da TF Agroeconômica, os fundamentos recentes apontam para uma mudança mais clara na direção dos preços, com predominância de fatores altistas.


Entre os principais vetores de alta está o clima nos Estados Unidos, considerado o fator dominante, com danos potencialmente irreversíveis mesmo diante de chuvas recentes. A menor área plantada desde 1919 reforça a perspectiva de oferta reduzida, enquanto o Kansas, principal estado produtor, apresenta agravamento da seca, ampliando o risco de quebra relevante na produção. A qualidade das lavouras também preocupa, com apenas 30% em boas ou excelentes condições e grande parte da safra de inverno comprometida.


No cenário internacional, a demanda segue resiliente, com crescimento nas exportações semanais e no acumulado anual, mesmo com preços elevados. Compras expressivas por países importadores indicam preocupação com abastecimento, ao mesmo tempo em que revisões negativas na produção de grandes exportadores ampliam o quadro de restrição global.


Apesar disso, há fatores que limitam movimentos mais intensos, como a demanda ainda irregular em alguns momentos e a valorização do real no Brasil, que reduz a paridade de importação. Também há risco de realização de lucros nas bolsas internacionais após altas recentes.


No mercado interno, tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul, a tendência de alta se mantém, com sinais de força, embora acompanhados de maior volatilidade. A orientação geral é de cautela estratégica, com vendas escalonadas por parte dos produtores e alongamento de cobertura por compradores. O entendimento predominante é de que o principal risco deixou de ser queda de preços e passou a ser a perda de oportunidades em um possível movimento mais forte de alta.


Fonte: Agrolink


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