Como entender melhor os desafios de quem está no campo quando, muitas vezes, o trigo chega à indústria e à padaria apenas como um produto final? Foi a partir dessa reflexão que o Sindustrigo realizou, na quinta-feira (20), o Dia Técnico: Do Grão ao Pão, na sede da APTA Regional de Itapetininga. O encontro reuniu representantes da indústria de moagem, do setor de panificação, da pesquisa científica, do melhoramento genético e da produção agrícola.
A programação do evento apresentou um panorama completo sobre a cadeia do trigo no Estado de São Paulo. Ao longo das apresentações, foram abordados a evolução da cultura paulista, os volumes de produção, a qualidade dos grãos e o cenário da moagem. Os participantes também puderam conhecer os trabalhos de melhoramento genético e as novas cultivares desenvolvidas para atender às características e exigências do mercado, além das práticas de manejo no campo, o uso de maquinários, a segregação, a classificação e as pesquisas da APTA sobre o período pós-colheita.
A escolha dos temas teve o propósito de aproximar a oferta da demanda. Segundo o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, a iniciativa buscou aproximar os transformadores, representados pela diretoria do Sampapão, da realidade de quem produz a matéria-prima. “A proposta foi criar um espaço direto de diálogo para que as necessidades diárias percebidas na panificação pudessem ser discutidas com profissionais que atuam nas diferentes etapas da produção”, afirma.
Para o presidente do Sampapão, Rui Gonçalves, compreender a origem do trigo amplia a visão sobre aspectos práticos que chegam diariamente às padarias, como as características e o comportamento das farinhas. “Ao conhecer os fatores do campo que interferem na qualidade, fica mais fácil compreender que cada resultado tem uma história por trás”.
Conhecendo a matéria-prima no campo
Para a diretora do Sampapão e proprietária de panificadora, Alessandra Rodrigues de Carvalho, a vivência no campo trouxe respostas valiosas para as dúvidas do dia a dia do setor. “"Foi a minha primeira vez em uma lavoura de trigo voltado especificamente para a panificação. Na rotina da padaria, recebemos farinhas com preços e características diferentes, umas absorvem mais água, outras entregam um rendimento maior e, muitas vezes, não entendemos a fundo o porquê dessas variações. Estar no campo e aprender diretamente com quem produz faz toda a diferença."
Para o representante da padaria Big Mooca Pães e Doces, Antonio Baltazar, que esteve no evento, o encontro foi uma imersão no conhecimento da matéria-prima. "Tivemos hoje um dia de aprendizado sobre de onde vem a farinha que faz o nosso pão de cada dia. O que mais me impactou foram as informações técnicas, entender como funcionam as safras, ver que um hectare produz o equivalente a cerca de 60 sacas de trigo, além de tantos outros dados valiosos que nos foram apresentadas ao longo do dia."
A experiência contou ainda com uma visita guiada às lavouras de trigo da APTA, realizada por meio de um passeio de trem pela propriedade, permitindo observar de perto o cultivo e os desafios enfrentados no campo. A conexão entre os elos é fundamental para uma cadeia mais alinhada. Quando indústria, panificação, pesquisa e produção compartilham conhecimento, todos ganham uma visão mais ampla sobre o trigo paulista.